Morar longe da família, amigos e cultura nos leva a uma conclusão: a distância filtra.

                “Gente, tô indo! ”-  rostos de surpresa, rostos de tristeza e até olhares de inveja, tomar esta decisão implica em mil reações adversas pra quem a toma e para todo o seu meio. Quantas pessoas você tinha no convívio antes de se mudar para estudar em Buenos Aires? Quantas promessas de que iriam te visitar sim ou com certeza no decorrer da graduação você já cansou de ouvir? Quantas pessoas usaram a distância como desculpa para a perda do contato? Quantas pessoas te perguntaram no último mês como você estava? Ai, ai, essa malvada distância pode até ser fria no primeiro olhar, mas é sábia em quem ela deixa presa na sua peneira. Será que o que mantinha a relação de amizade com X ou Y era a presença física?

Muitos usarão nossa, tá uma correria aqui como escudo quando questionados sobre cadê o que tínhamos antes? Dói para as pessoas que não tomaram essa decisão se darem conta que dentre todo tempo que temos não fizeram questão de manter os laços. E está tudo bem. São decisões de cada um, mas que não confundam frieza com acaso. Nem distância com presença. Inúmeras maneiras em tempos de Instagram e áudios infinitos estão disponíveis para quem realmente se importa com alguém que está quilômetros da gente.

Nós, que moramos longe, podemos ser confundidos como seres frios quando voltamos às nossas raízes. Errados estão eles que pensam que temos o tempo todo do mundo para desperdiçar com o acaso e a indiferença. Nós, que moramos longe, somos privilegiados em saber que toda forma de expressão de carinho é simplesmente cativante. Lavar a louça sozinho depois de um dia pesado de estudo quando, do nada, aquele amigo querido manda um áudio ou te marca em um meme ou te envia uma foto fofocando sobre um outro amigo em comum. As maneiras de estarmos presentes na vida das pessoas vão muito mais além do toque físico, tem a ver com amor, seja ele enviado como for.

Talvez quando “os esquecidos” decidirem estar geograficamente longe de alguém realmente querido é que tomarão a consciência que o simples da empatia é o mais fácil dentre tantas dificuldades que a distância nos dá.

P.S: Desafio você que leu este post a pensar em alguém que você sente saudades. Pare de senti-la e mande um Oi, Sumida (o) para esta amizade.

Foto Fonte: Dicas da Argentina

Texto por: VB e Giovani Giordani

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